2f, 30 julho 2007
primeiro dia de trabalho.
levantar às 07h00, porque
não se sabe a que horas o Nélson (que é o nome do supervisor da empresa de
limpezas onde vou trabalhar - Venter), vai passar por aqui (leia-se casa onde
estou a morar), para me levar para o meu sítio de trabalho. quase que parece
que tenho motorista. só que não.
preparar e não, a mala com alguma comida (sim, leva-se
comidinha de casa meus amigos) para o resto do dia, tomar o pequeno-almoço e não...
são 07h30, hora em que a bela da Catarina se deita no sofá à espera que o Nélson
telefone a avisar que está a chegar. eram 09h00 quando o telefone tocou. Nélson
avisava que daí a meia hora estava na minha rua. boa, mais meia hora para
dormir :)
fui levada para empresa Bosch, edifício 1, onde após alguns
enganos sobre onde eu iria trabalhar, sou levada novamente para outro edifício
da Bosch (acho que é o 9), onde me é dado a conhecer que sítios irei limpar, a que
horas e tudo o mais.
para primeiro dia de trabalho não estava nada mal. eram 11h00
e ainda não tinha feito nada. chato. e ainda falam dos funcionários públicos. mas
a minha sorte iria mudar. levaram-me para trabalhar na cozinha, onde todos os
dias das 11h30 às 16h00 vou estar a conviver alegremente com pratos,
talheres e copos sujos, mais tabuleiros e taças e, epá, um grupo de pessoas que
não percebe português e não fala inglês. ora, dado que a minha compreensão de alemão
não vai nada por aí além, a modos que só mesmo por gestos e algumas
palavras-chave é que se chega a um entendimento.
trabalhar numa cozinha tem muito que se lhe diga. aquilo é ritmo,
sempre a despachar, e depois da loiça estar toda lavada e arrumada nos devidos sítios,
toca a limpar as máquinas de lavar, o chão e tudo o mais. cada coisa tem o seu sítio.
o carrinho com os pratos é para ali, os talheres ficam em cima daquela mesa, os
copos naquele carrinho encostado daquele lado, enfim. tudo muito organizado
como tem que ser, senão ninguém se entendia.
somos uma equipa de cerca de seis / sete pessoas. todos os
dias trocamos de funções que é para o trabalho (que já de si é repetitivo) não
se tornar muito monótono. a pior tarefa que me foi atribuída até agora (pelo
menos do meu ponto de vista) foi: lavar tabuleiros de alumínio, aquelas coisitas
pequeninas (ironia atribuída às duas palavras anteriores) de onde as
senhoras do refeitório tiram a comida para pôr no teu prato, sabem? pronto.
pode parecer fácil, mas não
é. tendo em conta que 1) tens de tirar os restos de comida, 2) meter de molho e
depois 3) esfregar até sair tudo e 4) ainda meter abrilhantador na máquina para
lavagem final, sem esquecer que que 5) esses tabuleiros os há aos molhos, ainda
para mais que aqui a menina deixou acumular para lavar quatro carrinhos cheios
dessas coisas preciosas, digo e repito, não, não gosto de lavar aquilo e,
por favor, nunca mais me metam a fazer aquilo.
a tarefa exige das tuas mãos
uma agilidade e força que no dia a seguir a ter estado a lavar os tabuleiros,
descobri que podiam-me doer certas partes das mãos que nem em pré-epoca me doem!
mas bem, passado o inferno na cozinha, eu e mais uma colega,
a Dulce, vamos para uma parte do edifício da Bosch a que chama ETAS limpar escritórios
e casas de banho. é a parte mais sossegada e “limpa” do meu dia de empregada de
limpeza e a que eu gosto mais porque, às 18h00 estou a picar o ponto, para
bazar para casa eheheh
a bem ver, depois de se entrar no esquema das limpezas, não
tem muito que se lhe diga, mas que é trabalho puxado, lá isso é. e que não
recomendo a ninguém, tambem não o faço.
é nestes dias que alegremente chego a casa, depois de uma
caminhada de meia hora (sim, porque vou e venho a pé do trabalho), tomo um
duche e me sento no sofá a vegetar em frente à televisão portuguesa lolol
sim porque tenho acesso
os quatro canais portugueses que isto é casa de emigrantes e, como não podia
deixar de ser, o meu primo de sete anos, o Gonçalo, gosta de ver os Morangos com
Açúcar lol
e isto para dizer que, não há nada como o trabalho, para uma
pessoa dar ainda mais valor à vida de estudante :)
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